Boas-vindas

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O resumo da dor

       



        Francamente, não sei o que dizer, o que pensar, o que sentir...
        Hoje, o mundo aproximou-se demais de mim. A falsa ilusão de que as tragédias só acontecem com os outros foi por terra. Uma tragédia ocorrida no meu quintal jamais será esquecida. Não poderei mais andar despreocupada pelas ruas, levar meu neto à escola, visitar minha mãe, sem pensar na vulnerabilidade de nossa existência.
        Sinto uma tristeza profunda que, claro, vai passar. Mas deixará sua marca no cenário da minha infância.
        Acreditem, morei na vizinhança da escola Tasso da Silveira, vi sua construção começar e acabar. Quase fui matriculada lá, porém, por já estar numa boa escola, minha mãe optou pela não transferência. Andei de bicicleta ,lá pelos dozes anos, naquela rua. Vivi ali até os dezoito anos. Não sei se antigos moradores, do meu tempo, ainda circulam pelo bairro (muito grande, diga-se de passagem). Não reconheci nenhum dos moradores que foram entrevistados, que apareceram. Só vislumbrei uma parte de minha vida sendo maculada, sofri ao imaginar que o que antes era inocência, a partir de agora será dor, desesperança, saudade e, principalmente tristeza.
        Carregarei por muito tempo essas marcas. Minha mãe ainda vive perto e o caminho ainda é quase o mesmo.
        Não há muito a fazer. Pedirei a Deus alívio e conforto para as famílias e fé e esperança a todos nós (citação que ouvi hoje, mas não lembro quem falou, me perdoe o autor, depois de tanta informação).
        Este é meu depoimento, meu registro. Não sei se será lido, não importa. São fatos que ficarão para a posteridade.
        Sem beijos.
Obrigada
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2 comentários:

Andréa disse...

É minha querida, um desabafo dolorido , sofrido, o que nos resta é pedir a Deus misericórdia.
Não é fácil pra ninguém ver tanta violência, o mundo está a cada dia pior com essas pessoas ruins.
Fica com Deus minha querida, que ele proteja você e seus familiares.
bjs,
Andréa...

Lica disse...

Só lamento a dor e a perda dessas familias, que Deus dê forças a elas. Imagino o tamanho da sua dor também.

Bjos

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